sexta-feira, 30 de abril de 2010

Sobre um rapaz..

Querido rapaz,

Não é essa a carta que escrevi pra você e da qual sempre falo, essa é mais recente. Eu te gosto tanto rapaz, mesmo, mais até do que sou capaz de aceitar.
Sabe, nós fomos tão felizes, mais do que jamais pensei, você gostava de mim como nenhum outro foi capaz, eu tinha que corresponder, sentimentos sinceros deveria ser recíprocos, e infelizmente não era, não como deveria, como poderia ser.
Olha rapaz, você quer mesmo tentar de novo? Você lá, eu cá, eu com ciúmes, você preocupado.. será que não vamos cansar?
Eu sempre faço isso, imagino finais, eu odeio isso, me odeio por isso.
Agora diz rapaz, no dia em que você acordar e perceber que nunca me amou de verdade e que eu era normal de mais pra você. Vai fazer o que? Se vingar?
Não faça isso rapaz, se você gostar de mim, eu prometo que vou gostar de volta, afinal, é tão simples e fácil me fazer apaixonar

,Sophia


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texto péeessimo!!

domingo, 25 de abril de 2010

Sobre 'sentir só'





De manhã Sophia acordou, cedendo aos gritos da mãe no corredor e do pai no portão falando que era a hora de partir dali durante os dois dias que a faziam mais insana.
Ela não queria ir, nunca queria, sentia sono, fome, e tinha quase certeza que sentia febre, mas provavelmente não sentia, porque nunca ficava doente.
Ela queria ligar o celular na esperança de ver '2 chamadas não atendidas', mas não haviam, só a foto de um casalzinho abraçado.. ela era sozinha.. ele não ligava pra ela, e ela não tinha coragem de ligar pra ele.. incapazes de se amar de verdade.. incapazes de amar de verdade.
Durante todo o romance ele exigiu que ainda fossem amigos, confidentes, ele exigiu que fossem amantes.
E ela, tola apaixonada, sempre concordou.
Mas agora ele não liga, ela não consegue discar. A mãe dando socos na porta, ela pedindo pra esperar.
Mas que merda. estava chorando, era incapaz de aguentar a pressão sem chorar. 'Como você é FRACA Sophia'
Ela abraçou as pernas, tocou os joelhos, e olhou a foto encima da cama, era uma bela moldura, com coraçõezinhos, 'eu te amo' e estrelas.. não havia nada mais piegas pra se colocar em volta da foto de um casal. Eram um casal bonito até, era linda a história da foto, era um momento raro onde ela estava feliz.
Ela era feliz, com ele..
Ela estava procupada, ele nem ligara para dizer 'Boa Noite', ela desesperou, teve a esperança de receber mensagens, ela não sabia dormir sem a sorte que ele lhe transmitia. Tentava parecer forte, mas infelizmente era romântica, e o amava, só ele entendia suas piadas rebuscadas, recurso de meninas inteligentes que não se aceitavam como tal.
Ele adorava seu sadismo, que combinava com seu masoquismo. Eram feitos um pro outro. O casal estranho sentando na praça, ela com seu cabelo com (estranhamente) irregulares mechas vermelhas, e ele num estlio quase inaceitável para a concepção da pequena cidade.
O seu coração batia tão rápido quanto sua quase arrebentava a porta.. e de repente, o telefone toca:
-Alô?
-Oi meu amor, tudo bem?
-Tudo bem, to quase de saída.
-Eu sei, liguei só pra falar que te amo, e que amanhã te busco naquele inferno e fujo com você.
-Promete?
-Prometo, eu te amo
-Eu também

O coração se acalmou, a mente limpou, a alma ficou mais leve, ela ainda a amava enfim, ligou porque sabia o quanto ela detestava fins de semana.
"Ele pensa nela, ela tem saudade"
Partiu..
Pra dois dias em meio a piadinhas sem graça, fofocas incoerente e perguntas sem sentido.
Vendo TV a cabo sonhava que ele ia buscá-la.. ligar.
Apesar de fazer muito tempo que isso não acontecia. Apesar dela achar que acontecia, ainda.
Ele não liga faz 1 ano, não diz 'Boa Noite', nem 'Bom Dia'
E ela continua presa nesse lugar, dizem que 'falando sozinha com o namorado que faleceu'
Mas ela o vê, sente e ouve.
Porque ele sempre dizia: "Eu luto por você,até seu coração parar de bater"



quinta-feira, 15 de abril de 2010

Sobre mudanças..


Outro dia me lembrei de você, do nosso suposto parentesco, de como a gente dizia que se amava, de como costumávamos ser unidos. Do jeito que erámos felizes
Lembrei do nosso primeiro e único beijo que fez meu coração acelerar ao ponto de eu me sentir incapaz de fazê-lo parar de bater tão forte e a respiração ainda ofegante da sensação que era a reciprocidade de um sentimento. Eu ri.
Permanecemos felizes, amigos, mas felizes.. eu ainda com a sensação de estar apaixonada.. e talvez realmente estivesse ou fosse somente a necessidade de gostar de alguém, e eu precisava disso, ainda preciso.
Naquele tempo em que eu era extremamente infantil e pueril, incapaz de compreender o que eu ou você realmente sentíamos, eu te amava, mas do jeito errado.
Ou talvez te amasse do jeito certo e não soubesse que era.. é.. eu nunca soube saber o que sentia realmente.
E depois de você eu descobri que gostava mesmo era de mim, e por ser tão egoísta tentava minimizar isso amando, gostando, mais dos outros..
Agora amigo, diz pra mim, nós crescemos não crescemos?
Já não somos mais tão próximos, gostamos de coisas diferentes.
Nós mudamos, não temos mais a obrigação de sermos íntimos.
Porque no fim, ou melhor, no mundo, tudo se define em mudanças.. eu corria atrás de você, me cansei disso, e passei a correr atrás do amor, de modo incansável, inviável. Você entende, não entende?
Nós mudamos, enquanto eu corria, você permanecia parado, esperando chegar até você.
Nós mudamos, você sabe, eu conheço a maioria das bandas que você me pergunta se eu gosto, ou já ouvi.
Nós somos diferentes.. eu tomei na vida, um caminho onde me envolvi com pessoas, conheci novas pessoas, novos hábitos, novos vícios, novas perspectivas e outras opiniões..
Eu mudei.. eu vivi.. entende? eu saí e voltei tarde.. eu bebi.. eu fumei.. experimentei o que quis
Tive momentos ápices pra tentar ser feliz.
Enquanto você levou sua vida,de um jeito que eu não sei bem qual foi, e mesmo se soubesse, não cabe a mim comentar, e levou de tal modo discreto, que tive até inveja, porque seu nome não estava na boca das pessoas, falando mal, da menina que se tornou rebelde, e eu bem tentei ser rebelde, mas nessa época, me descobri altruístra demais..
Mesmo que você não saiba, ou perceba amigo, eu cresci.
Não sou mais tão infantil quanto você gostar de dizer que eu sou. Mas quem me dera ser ainda.
Eu cresci, mudei, me reinventei, tomei novos rumos, errei os caminhos, pensei demais.
E agora eu sei que somos melhores como amigos do que seríamos como amantes.


domingo, 11 de abril de 2010

Sobre perdas..


Quando eles se conheceram, ela o odiou, de verdade.. era o tipo de garoto que ela abominava.. falava de um jeito que a irritava, gostava de músicas que ela abominava, era de um narcisismo que ela detestava.
Mas de qualquer modo, ele a fazia rir.. era estranho, ela sempre se apaixonava por seus amigos, e não foi diferente dessa vez.
Estava caindo de amores pelo exemplo de garoto que ela não queria ter. Mas teve, e acreditem, ela foi feliz por todo tempo que durou, foi pouco, mas foi bom.
Ela viu que o amava, mas não de um jeito romântico, gostava mesmo dele, e ele dela, eram amigos, amigos mesmo, não desses que se vêem todo dia, nem que juram amizade eterna, eram simplesmente amigos, se gostavam, conversavam e se ajudavam quando podiam..
As vezes tinham ciúmes um do outro.. mas é assim que sustentam as amizades, ciúmes e amor incondicional.
Enfim..
Ficaram um tempo sem se ver, claro que manteram contato, msn e orkut realmente foram úteis.. e por vezes telefonavam um pro outro. Até porque, as vezes ela sentia falta de ouvir ele dizer 'amor', 'paixão', ou qualquer expressão de afeto ao invés de seu nome..
Ela tinha um lugar especial pra ele no coração.. o amigo mais diferente que tinha, diferente d todos, porque a maioria gostava de rock, e ele destoava totalmente disso..
E agora ela via o orkut desabitado, o msn que nunca mais vai ficar online.. ela não conseguiu acreditar, nem como, nem porque, mas todo mundo dizia que ele não ia mais ligar pra ela, nem falar 'oi' no msn, nem nada mais.. que ela ia ter que sobreviver com as lembranças.
Ela sabe, ele escolheu o próprio, ele optou pelo fim..
Mas ela ainda não vê porque, ela o teria ajudado.. sim, teria feito o máximo para que ele fosse forte, e ficado não somente ao lado dela, mas de todo que hoje sentem falta dele.
Apesar dela achar que agora, ele não está exatamente em um 'lugar melhor'.. ela sente falta.. muita falta dele.. do sorriso, de tudo..
Da ultima que conversaram, ele disse: Eu te amo, você sabe né? Se cuida, e fica com Deus.
E ela prefere achar que foi uma despedida.. e tem quase certeza que foi.
Ele se gostavam, mas estritamente de um modo romântico, eram amigo, que se tivessem a oportunidade se beijariam em momentos de tédio.
E agora ela sentia saudades, não precisava chorar, nem falar a todo momento, mas era a primeira grande perda de sua vida, e doía.. mais do que ela imaginou.
Mas ela sabia muito bem, que não era a melhor forma, mas que foi melhor assim.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sobre fé

Pessoas criaram invenções religiosas
Para dar a suas vidas um lampejo de esperança
E para amenizar o seu medo de morrer
E pessoas criaram intenções religiosas
Apenas para se sentir superior
e ter uma licença para matar
E pessoas criaram ascensões religiosas
Para subjugar os outros e para escravizar
Apenas para enriquecer ainda mais a si mesmos

(Façade Of Reality- Epica)


Concordo plenamente com o Mark Jensen quando ele diz que intenções e invenções religiosas são pretextos e realmente são.. Não desacreditando que Deus exista, mas a Religião foi criada numa tentativa de fazer com que todos tivessem a mesma opinião para que não houvessem revoluções e todos acreditassem em alguém maior que te castigaria se você fizesse algo errado..
Tá.. meu problema é o cristianismo e se fosse ser mais específica o catolicismo, mas odeio o fanatismo religiosoem um aspecto geral.
Começando por partes..
Qual o lance dos 7 pecados? Eu sei que não devem ser levados a sério de um modo literal, envolve muitos valores, mas se Deus nos deu o livre arbítrio porque proibições e uma lista de tudo o que é errado, todos sabemos o que é certo e o que não é, independentemente se é respeitado ou não.
Se todas as proibições divinas foram criadas por Ele, não existe livre arbítrio para fazermos o que quisermos se vamos ser punidos..
Odeio o tipo de gente que fica na porta da igreja chamando os outros pra entrar, isso acontece (e muito) comigo, só porque eu uso lápis de olho e roupa preta não quer dizer que eu siga Satã, e mesmo se seguisse não cabe a ninguém julga, é tudo uma questão de respeito, mas isso é assunto pra outro post. Se eu não estou dentro da Igreja é porque eu não quero, se eu quisesse me tornar uma pessoa que segue dogmas predestinados e não quisesse ter opinião própria, eu já estaria lá dentro. Acontece que eu não gosto de ordens, simplesmente odeio.
Nenhum padre, pastor, nem Deus, pode dizer o que eu devo ou não fazer, o que eu devo ou não pagar, o que eu devo ou não ser. a vida que eu devo u não seguir. Eu não sou assim..
Eu fui criada dentro de uma família onde não existe nenhum apelo religioso, apesar de todos terem uma crença, e rola uma pressão imensa pra que eu tenha uma também, mas eu não acho necessário estar dentro de um templo pra que eu acredite, porque sim, eu acredito em Deus, não esse bondoso, benevolente e onipresente, mas eu acredito em alguma coisa, uma entidade com um poder maior.
Na idade Média a Igreja Católica matou milhares de pessoas e eu te pergunto: Isso é certo?
Foram criadas outras religiões e cultos, e uns se tornaram tão puro fanatismo que são motivo de piada.
Nos dias de hoje, a Universal extorque milhões de reais de seus fiéis pra manter uma emissora de TV, a Igreja católica praticamente patrocina a AIDS e outras Dst's sendo contra o uso de camisinhas, poxa, nem todo mundo quer se casar(hoje em dia, quase ninguém).

A Religião e até mesmo a própria fé se tornaram obsoletos porque a própria integridade divina caiu em desuso, o que é Deus pra quem morre de fome, e pra quem sofre por toda e qualquer coisa? NADA
O que é Deus pra quem tem tudo? NADA
É o que eu digo sabe.. Fé é uma coisa realmente complexa, ou você tem, ou você não tem, se você acredita, seja no que for, parabéns.
Eu não tenho uma fé cega, eu enxergo todas as falhas, todos os defeitos e não acredito na bondade dos anjos.

Eu não sou perfeita ninguém é, e são poucos os fieis que se questionam a respeito de algo.

Não sei como terminar o texto, tenho muito a dizer, mas não tenho palavras e tenho medo de processos legais. Mas é essa a minha opinião.
Eu Mariana Magalhães, não preciso de uma religião pra ter fé, e muita gente, nem precisa de fé, pra continuar vivendo.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Sobre defeitos...

Eu não precisava te odiar.. não mesmo.. mas eu tinha o direito.. durante o tempo que te conheci não me faltaram porquês.

Traições, situações mal-resolvidas, fofocas não esclarecidas... Coisas que você preferiu ignorar.. e eu num desses meus ápices de bondade.. deixei pra lá.

Você me chama de influenciável, o que preferir, mas acredite... é incontável as vezes em que me opus à maioria, minha amigas de verdade, pra te defender, ou pra dizer que não queria estar envolvida em qualquer coisa que parecesse raiva e tivesse seu nome.

Eu decepcionei, e você não sabe o quanto eu ouvi, das pessoas que estimulam a minha vida quando decidi que apesar do pesares, eu ainda seria sua amiga.. E fui, não fui? Te apoiei com ela, quando a maioria era contra, e eu fui contra a maioria, você confunde respeito com alienação.

Eu poderia ter deixado pra lá... eu podia só ter ficado com raiva, quando era eu que sempre estava do seu lado..mesmo que você não soubesse.

Quantas vezes ouvi falarem mal de você e eu dizer: Não.. ele não é assim, comigo ele não é assim, MEU AMIGO! . eu sempre falei.. uns dos melhores amigos que eu já tive na vida..

Todo mundo falando o quanto você não prestava, eu negando e você no fim, me deixou em dúvida.

Eu nunca segui o que os outros diziam... o que acontece é que você pode concordar. Ou não pode?

Acredite você ou não, as pessoas mudam de opinião... Se você convence alguém de algo, você se vangloria por isso enquanto outra é ridicularizada?

Deixa se ser imparcial, meu amigo, unilateral... De ver só o seu lado..

Poxa... Você aqui, sabe... Como todos os meus amigos, com um pedaço da minha alma nas mãos, no final, fez o que me alertaram desde o início, e ainda foi capaz de agir como se fosse eu, a errada.

Mas ao contrário de você, eu admito meus erros, e sou capaz de pedir desculpas, eu não tenho um orgulho mesquinho. Eu não sou santa, nem nenhum exemplo de bom comportamento e bondade.. eu sou assim e pronto.. e você me conheceu assim, conheceu até pior.

Você não joga amizades no lixo por motivos pueris..

Amizade é igual, ou até mais forte que amor, porque resiste à distâncias, bipolaridade, romances errados, atitudes erradas, palavras equivocadas..

Seríamos nós o exemplo da superação, porque apesar de cada mágoa, decepção, ainda restava alguma coisa, amizade.. sabe como é?

Sentimento de capacidade, de confiança, fé mesmo sabe.. fé no outro.. de que se você quiser pular da ponte, alguém vai te impedir, se você quiser se jogar de olhos fechados, alguém vai te apanhar.. Você entendeu... a sensação de poder tudo.

Eu sei que sou uma boa amiga, e seria mais ainda se tivesse suportado seu mau-humor. Mas eu não posso ser o saco de pancadas de todo mundo.

Todos os amigos liberam em mim fúria e agonia... Não gente, eu não sou tão forte, eu sou frágil, ouço todo mundo, mas no final ninguém quer me ouvir...

E sabe... Mesmo que não pareça, eu sou inocente, inocente demais pra ser ríspida de verdade..

Eu ainda não tenho o coração gelado.

Eu acredito nas pessoas..

E sei que é esse o meu verdadeiro defeito.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Sobre ritmo e melodias


A dança que conduzia os fatos tornava tudo mais claro, menos insano.
Eu ia perdendo o ritmo, misturando os passos, não sabia ser feliz sozinha.
Permaneci apática diante à letargia que me parecia atraente, era agradável, era melhor assim.
Não controlava meu corpo infrene em contato com a música.
Passando por tangos, boleros, estava agora meio perdido em meio ou rock'n roll, que me mandava gritar, pular, ser eu mesma, cuidar de mim.
E eu.. eu não sabia ser feliz sozinha.
E agora?! Sem olhares ansiosos, corações congelados, sentimentos partidos.
Eu não sabia dançar sozinha, eu queria, mas era incapaz.
Sozinha na multidão, com a guitarra acostumando os ouvidos e a bateria acelerando o coração. Vi que não podia dançar solitária, porque não deveria, meu destino não era ser bailarina, era ser feliz (ou quase isso).
Então a calmaria trágica das melodia que exigiam pares desafiou: 'Você não quis ser infeliz comigo..vai conseguir ser feliz sem mim?'
Sem nada o que falar segui o som dos metais.
Cada barulho me confortava, toda voz era acalento.
Era espontâneo, rebelde e sem clichês.
De qualquer jeito eu me divertia, sozinha, era estranho, mas era bom, e eu cantava "These days - are fast, nothing last in this graceless age"*


*These Days-Bon Jovi

sábado, 20 de março de 2010

Sobre despedidas..


-Veio dizer adeus?
-Não sei dizer adeus, não pra você.
-Eu não aguento mais você dizendo que é incapaz de me deixar. Te arranquei do peito, te lancei às lembranças e sem querer, te eternizei na memória. e as vezes dói, como se eu arranhasse a ferida toda vez que ela está se curando, e talvez seja mesmo isso.
-Sophia, sei o quanto é estranho dizer, mas eu tenho chorado, olhando fotos, cartas, nós erámos tão felizes. Outro dia lembrei da vez em que você fez um coração com nossas inicias no vidro sujo de um carro. Foi a nossa maior prova de amor.
-Ahm.. você prefere lembrar de momentos quase insignificantes, tentando fazê-los parecer eternos, a banalidade tentando encobrir a mágoa é muito mais bonito do que mil promessas não cumpridas.
-Eu tenho saudade..
-Não se tem saudade de algo que teve. E se tratando de nós dois, eu tinha o meu amor, roubei o seu amor, e te deixei com a dúvida.. e me dilacerei em culpa.. Sente mesmo falta?
-Sophia, eu me esforcei tanto pra te fazer feliz.. Você não era feliz? Poxa.. eu te amava.
-Meu bem, você em deu o que era essencial para que eu fosse feliz, desde flores e bombons à simples gestos de afeto. Oaristos.. Estava quase plena.. Mas sou taciturna, e a tristeza é o que me conforta e onde me acomodo, em dias de sol..
-Ou noites de chuva.
-Você lembra..
-Sophia.. você não precisa da tristeza.. você tem a mim, pra te abraçar sempre que você se sentir sozinha.. Eu te amo.. não precisamos dizer adeus..

quinta-feira, 18 de março de 2010

Sobre as cartas


Desacreditei do amor, declarações são menos do que nada, flores são só vegetais que atraem abelhas.
Se é platônico, não é amor, é paixão, dissabor, dói, não é amor, é comum.
Cansei de sentimentos unilaterais.. amar sozinho requer esforço, machuca mais.
Me apaixono fácil e me proponho a monotonia dos relacionamentos ainda mais depressa. esqueço de amar, e deixo pra lá.
Encher o coração de sentimentos de afeto e esvaziar, de repente, deixando-o desesperado, encolhido em meio a tanto espaço.
A ausência dói mais, por mais nociva que a presença seja.
Só resta vazio e dor.
Agonizando a perda de algo que nunca foi meu.Desacreditei do amor. Chegando por fim ao destino das emoções abandonadas.
Cartas jamais enviadas, escritas e guardadas sem destino.
Dizendo o que deveria ter sido e não foi.
Lamentando a ausência do amor que me escorregou entre os dedos.
Palavras raivosas, apaixonadas,arrependidas e solitárias.
Querendo mostrar que sinto saudade, ou repulsão.
Palavras soltas, dentro dos envelopes, sem sentido nenhum pra quem não faz parte da história, mas que doem fundo no peito dos envolvidos..
Que por covardia de um dos lados, em algum momento têm o destino triste de ondularem em meio ás brasas em recipientes de porcelana..

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Pra ser amor...


Pra que pudesse ser chamado de amor tinha que ser recíproco.
E de algum modo, mesmo que controverso, tinha que fazer bem.
Porque o amor é compreensivo, confidente, fiel e leal.
O verdadeiro amor é sincero.
Pra ser amor tinha que ser extremo.
Mesmo com brigas e desentendimentos tinha que trazer algo de bom.
Tinha que curar feridas e esconder memórias,tinha que causar, mesmo que no fim, alegria.
E eu só sufocava, chorava, e meu coração gritava pedindo pra parar, era tortura, e era ruim, por mais que eu me esforçasse pra acreditar que não era.
Porque, meu bem, pra ser amor tinha que de algum modo, por mais masoquista que fosse. causar bem-estar.. e eu não sentia.
Você estava a cada dia mais feliz, e eu mais chata, e fraca. Incapaz de lidar com a situação.
Pra ser amor, não deveria ser unilateral, foi assim.. mas não deveria.
Tinha que ser indolor, platônico e estranhamente feliz.. seria assim, se desde o inicio não nos machucassemos, lutando pra ser mais do que éramos, porque sim.. nós erámos amigos...e seriamos ainda, se não fosse a ambição de ser mais do que era possível.

Não, não era amor, era paixão, e passou..