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terça-feira, 4 de maio de 2010

Sobre uma amiga..


Eles eram um casal fofo, eu achava, tomavam sorvete de chocolate e se amavam, eu sempre achei, ele mais do que ela sabia admitir e podia compreender, mas eram felizes.
Ela não suportou, não sei muito bem o que, mas ela não podia mais levar, simplesmente não podia, não que não quisesse, ela queria, ainda quer, ela o ama, sempre amou, ama ainda, é sincero, eu sei, mas naquele tempo, ela não podia mais. Talvez fosse jovem demais, compreensiva de menos, porém gostava dele, eu sei que gostava, e gosta. E eu adorava observar.. os ápices de alegre por ele ter ligado. Era lindo. E acabou.
Ela seguiu em frente, ele seguiu em frente, com o amor sufocado no peito, mas seguiram em frente, sentiram o gosto amargo de beijar outras bocas, que jamais lhe proporcionariam o mesmo prazer que sentiram quando eram só os dois, outros abraços, sem nada sentir.
Procurando em outros corações uma resposta pro amor que ainda tinham e que não podiam dar pra quem merecia.
Eles eram um do outro, mesmo quando outro alguém se interferia na equação perfeita do amor dos dois.
Porque tinha que ser amor, ainda resta alguma duvida de que o destino os queria juntos?
Até que um dia, um dia qualquer, ela não se lembra bem qual, ele veio, disse 'oi', começava tudo de novo, ela tinha medo, e ele receio, eu sentia, mas também tinham amor, e quando se ama meu bem, não há tempo pra sofrer..
Tomem sorvetes, assistam filmes, sejam rudes quando necessários, porque nem só de delicadezas vive o amor, um amor fino como o de vocês bate forte o coração, acelera a vida, engrandece os sonhos, por favor amigos, não jogue sentimentos e alianças pela janela, porque podem se perder pra sempre, num abismo de amores falhos, sem inícios reais e finais sem sentido.
Hoje ou ontem, não me lembro bem, atentei pro fato de que minhas historias tem finais infelizes.. as pessoas se prendem aos amores que fazem mal.
Mas vocês amigos, deixo o resto da história em branco, sem final, só reticências.
Porque sabe amiga,seu amor de tantas rugas, tem que ter o seu lugar...

domingo, 25 de abril de 2010

Sobre 'sentir só'





De manhã Sophia acordou, cedendo aos gritos da mãe no corredor e do pai no portão falando que era a hora de partir dali durante os dois dias que a faziam mais insana.
Ela não queria ir, nunca queria, sentia sono, fome, e tinha quase certeza que sentia febre, mas provavelmente não sentia, porque nunca ficava doente.
Ela queria ligar o celular na esperança de ver '2 chamadas não atendidas', mas não haviam, só a foto de um casalzinho abraçado.. ela era sozinha.. ele não ligava pra ela, e ela não tinha coragem de ligar pra ele.. incapazes de se amar de verdade.. incapazes de amar de verdade.
Durante todo o romance ele exigiu que ainda fossem amigos, confidentes, ele exigiu que fossem amantes.
E ela, tola apaixonada, sempre concordou.
Mas agora ele não liga, ela não consegue discar. A mãe dando socos na porta, ela pedindo pra esperar.
Mas que merda. estava chorando, era incapaz de aguentar a pressão sem chorar. 'Como você é FRACA Sophia'
Ela abraçou as pernas, tocou os joelhos, e olhou a foto encima da cama, era uma bela moldura, com coraçõezinhos, 'eu te amo' e estrelas.. não havia nada mais piegas pra se colocar em volta da foto de um casal. Eram um casal bonito até, era linda a história da foto, era um momento raro onde ela estava feliz.
Ela era feliz, com ele..
Ela estava procupada, ele nem ligara para dizer 'Boa Noite', ela desesperou, teve a esperança de receber mensagens, ela não sabia dormir sem a sorte que ele lhe transmitia. Tentava parecer forte, mas infelizmente era romântica, e o amava, só ele entendia suas piadas rebuscadas, recurso de meninas inteligentes que não se aceitavam como tal.
Ele adorava seu sadismo, que combinava com seu masoquismo. Eram feitos um pro outro. O casal estranho sentando na praça, ela com seu cabelo com (estranhamente) irregulares mechas vermelhas, e ele num estlio quase inaceitável para a concepção da pequena cidade.
O seu coração batia tão rápido quanto sua quase arrebentava a porta.. e de repente, o telefone toca:
-Alô?
-Oi meu amor, tudo bem?
-Tudo bem, to quase de saída.
-Eu sei, liguei só pra falar que te amo, e que amanhã te busco naquele inferno e fujo com você.
-Promete?
-Prometo, eu te amo
-Eu também

O coração se acalmou, a mente limpou, a alma ficou mais leve, ela ainda a amava enfim, ligou porque sabia o quanto ela detestava fins de semana.
"Ele pensa nela, ela tem saudade"
Partiu..
Pra dois dias em meio a piadinhas sem graça, fofocas incoerente e perguntas sem sentido.
Vendo TV a cabo sonhava que ele ia buscá-la.. ligar.
Apesar de fazer muito tempo que isso não acontecia. Apesar dela achar que acontecia, ainda.
Ele não liga faz 1 ano, não diz 'Boa Noite', nem 'Bom Dia'
E ela continua presa nesse lugar, dizem que 'falando sozinha com o namorado que faleceu'
Mas ela o vê, sente e ouve.
Porque ele sempre dizia: "Eu luto por você,até seu coração parar de bater"